Ando com preguiça de escrever. Veja bem, não é
exatamente "preguiça", mas um desanimo em relação à tudo. Fico
pensando se tanta exposição me faz bem, a cada dia acumulo mais
responsabilidades, "responsabilidades" quanto a minha imagem, o que
me desagrada muito. Chega um momento em que não se pode dizer tudo, ou qualquer
coisa, a qualquer hora ou lugar. A palavra da vez é "ponderar",
porque se eu quiser mesmo ter um relacionamento, ou um bom desempenho
profissional, preciso também ser cada vez mais diplomática. E assim mais uma
vez nos tornamos seres cada vez mais políticos, existe uma frase da Barbara
Kruger que particularmente adoro, é mais ou menos assim: - "Uma reunião na
ONU não é mais política do que um jantar em família".
A política esta em toda parte, pois as relações
de poder estão em toda parte. Mas não é só isso que me aflige. Sou do tipo de pessoa que vive um eterno
"contentamento descontente"- como diria Camões. Já tive mais crises
existenciais do que empregos registrados em carteira. Na verdade a crise não existe, o que existem são
seus sintomas. E estes sintomas que me angustiam são apenas frutos de
castrações de desejos.
No primeiro momento parece que estou insatisfeita
com tudo, que o problema engloba todas as áreas possíveis, mas se afunilarmos
um pouco as coisas, podemos simplificar para tentar dar conta. É importante
tentar achar um motivo...
Vejo as pessoas tão submersas em suas rotinas,
parece fazer tanto sentido para elas. Fico pensando se quando elas acordam
também se perguntam como ou por que de tudo. Não vejo muito sentido em se viver
para trabalhar e comprar coisas. Também não sei como me comportar nesses
relacionamentos, não sei como alguém pode achar ter posse de outra pessoa,
quando não se pode verdadeiramente nem ser dono dos próprios pensamentos.
Então, no dia-a-dia, fico escutando as conversar e algumas falas soam tão
absurdas, mas quando viro e olho e em volta, percebo que aquilo é bem aceito no
senso comum. Daí você começa a se sentir cada dia mais inapto ao convívio
social.
E todas as vezes que tento me adaptar e não
consigo, vem aquele sentimento de rejeição. Mesmo que você termine (antes mesmo
de começar), com a pessoa mais babaca do mundo. Que não seja responsável pelo
declínio do relacionamento, ou mesmo a "não existência" do
relacionamento, não importa o que digam, no fim da noite quando encostar sua
cabeça no travesseiro, todas as informações processadas serão simplificadas e
condensadas em um sentimento de inadequação, rejeição, inferioridade, escolha a
palavra que melhor lhe convir. O fato é que você não se enquadrou.
Mas no fundo, não consigo ter vontade de me
enquadrar, não consigo ver sentido nos jogos alheios. Queria muito estar
entusiasmada e fazer mil e uma coisas no meu dia, só que não. Não vejo motivos
que me levem a isto. Fãs de quadrinhos sabem: "Quanto
maior a força de vontade do usuário, mais eficaz é o anel ." e eis que hoje
justo ela é o que me falta.


